Por Eliete Borges
Marinheiro, com que ar defronte à terra aplumas! Contente ou apenas sedento do seu cadinho de tempo junto aos homens e mulheres de pés no chão. A vastidão destas galáxias toca o convés e junta-te ao sereno – orvalho de campos sonolentos -. Suas façanhas e aventuras agora ao sono te abandonam – peças a Morfeu tua liberdade e serás ainda mais o que navega as intempestivas vagas do inconsciente-.Tua cabeça é a fortaleza de números infindáveis e confundíveis quartos; nebulosas, estrelas de nêutrons e pulsares, ela congestiona e transtorna a maioria dos sentimentos todos invertebrados sem pulso.Enquanto queres o não sei o que lá da profundeza toda sua epiderme o vento eriça, Assim nunca verás o tremular de uma chama posta sobre o móvel da sala num castiçal entalhado pelo mesmo fogo reluzente.Pela óbvia relutância com o espaço tu lanças sobre as águas o corpo, teus versos porém, as vozes que tu escutas assombrar nunca em eco se achará. E com que sinistro acaso lhe presenteará o mar em suas incertezas, caprichos e descuidos? E que gosto achará? Incertamente já mares, terras e martes viajastes, porém agora que teu pensamento sobre isto se detém poderás indiferente por sua âncora segurar-se ou dela não se desfazer? Promessas resistem em tuas lembranças lacinhos dourados e lilases. Fazer-lhe endereçar agora nesta hora tardia manuscritos de bem querer e a rosa enferma já colhida no jardim da frente de relva mansa, corajosa e verde, como!? E como deixar passar toda a vaidade num posto qualquer do mundo animado pela plumagem dos movimentos humanos, se te seduz o gesto da reunião de pêlos que se arqueiam por cima dos olhos do pequenino homem velho que sentado conversa, se tudo que lhe entrega o mundo construído dos homens são passagens intrincadas e confusas dificultando-lhe a vontade e não podendo distribuído, diluído, marcha em pleno passeio público se sentir você precisa disso?Na fundura vivem seres de beleza nostálgica! E mesmo assim corremos devagar do mar. É sina voltar como o é perder e achar, fazer as malas e partir, partir e não voltar.Será como? O rio que dá vida aos proeminentes cidadãos que à sua porta batem todos os dias, peregrinos em busca de retidão? Pensarão um dia sobre a parte que lhes cabe nos devaneios de minha cabeça tanto um quanto o outro? Romperam rebeldes os suicidas o destino levados aos hospícios pelo crime condenação da loucura vivos não se acham. Completaram anos e perderam dentes sorrindo ou sofismando ou encafifados num césto remoendo apenas e sempre a cogitar. Se sente forte o excurso que desconstroi no mar o exílio e a flâmula das idéias se extinguem assim é que se pode verdadeiramente fundar-se a si mesmo e nisto prosseguir por aquela que fere mortalmente, produz amargura e é o bem maior da conquista; são uma só flor e fruta solidão e felicidade.


